quinta-feira, 2 de outubro de 2008

A obsessão do esclarecimento

"A vida e a morte fluem pelo ser. Não há evolução e nem destino. Só ser. "

Albert Einstein
Nascido em 1879, Princeton, e falecido em 1955. Físico alemão radicado nos Estados Unidos mais conhecido por desenvolver a teoria da relatividade. Ganhou o Prêmio Nobel da Física de 1921 pela correta explicação do efeito fotoeléctrico.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

MAIS ROSAS NA CASA DAS ROSAS

Um dia volto,
o avesso do orvalho
conspira duas mandalas
nos meus olhos:
pergunto-me sobre
o retorno suave
e o que cai sobre
o meu colo são
talheres gélidos,
encrustrados
de grãos de arroz.

um lampejo clareia
o meu caminho:
é hora de polvilhar
a entrada com almíscar,
talvez seja o que é
e sendo tornar-me-ei
rosas rosas.

domingo, 28 de setembro de 2008

MEDITAÇÃO À BEIRA DE UM POEMA Adélia Prado

Podei a roseira no momento certo
e viajei muitos dias,
apredendo de vez
que se deve esperar biblicamente
pela hora das coisas.
Quando abri a janela, vi-a,
como nunca vira,
constelada,
os botões,
alguns já com o rosa-pálido
espiando entre sépalas,
jóias vivas em pencas.
Minha dor nas costas,
meu desaponto com os limites do tempo,
o grande esforço para que me entendam
pulverizaram-se
diante do recorrente milagre.
Maravilhosas faziam-se
as cíclicas, perecíveis rosas.
Ninguém me demoverá
do que de repente soube
à margem dos edifícios da razão:
a misericórdia está intacta,
vagalhões de cobiça,
punhos fechados,
altissonantes iras,
nada impede ouro de corolas
e acreditai: perfurmes.
Só porque é setembro.
Foto tirada em 28/09/08 na Casa das Rosas - SP

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Diques

Hoje, ao voltar do trabalho,
no parapeito da janela
vi uma rosa incorrupta,
assemelha-se ao seu pudor ferido:
pobre burguês ardente,
jamais saberá o que é o amor.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Cântico dos cânticos

Don´t explain
Billie Holiday/ Arthur Herzog Jr.

Hush now, dont explain
Just say youll remain
Im glad your back, dont explain
Quiet, dont explain
What is there to gain
Skip that lipstick
Dont explain
You know that I love you
And what endures
All my thoughts of you
For Im so completely yours
Cry to hear folks chatter
And I know you cheat
Right or wrong, dont matter
When youre with me, sweet
Hush now, dont explain
Youre my joy and pain
My lifes yours love
Dont explain

http://www.youtube.com/watch?v=3RYi8d6wxvA

terça-feira, 19 de agosto de 2008

AMOR FATI

...é uma expressão latina cuja tradução livre seria "amor ao fado", "amor ao destino".O significado da expressão varia conforme o entendimento dos termos fado e amor.
A expressão aparece em Nietzsche, sendo usada como "fórmula para a grandeza do homem" e que significa:
"Não querer nada de diferente do que é, nem no futuro, nem no passado, nem por toda a eternidade. Não só suportar o que é necessário, mas amá-lo". O termo aparece varias vezes em Gaia Ciência, mas é neste trecho em particular citada de forma mais clara:
"Quero cada vez mais aprender a ver como belo aquilo que é necessário nas coisas: - assim me tornarei um daqueles que fazem belas as coisas.
"Amor fati" [amor ao destino]: seja este, doravante, o meu amor" Não quero fazer guerra ao que é feio. Não quero acusar, não quero nem mesmo acusar os acusadores. Que minha única negação seja ‘desviar o olhar’! E, tudo somado e em suma: quero ser, algum dia apenas alguém que diz sim."
Para Nietzsche, "amor fati" é amar o inevitável, amar o destino, amar o justo e o injusto, o próprio amor e o desamor. Ou seja,"ser, antes de tudo, um forte", sem se reclamar da vida, sendo indiferente ao sofrimento. Uma retomada do antigo pensamento grego dos filósofos estóicos.

Travessuras

Provisoriamente, nos procuramos
Quem cava as duras penas
O frêmito do seu corpo
É o meu delírio sólido:
diamante do ventre.

Se precisa de amor para viver,
Invento a passagem da câmara
Que bem sei: no fundo, a solidão
É o ganho de quem se cala.

A sábia árvore –
Velha de mãos secas –
Torce a sua copa até o chão
Recolhendo meus cabelos:
- filha pródiga, do que tem medo?

Os olhos, vórtice do coração,
Encobrem o que todos intuem,
E como uma flor
no extático momento
do desabrochar
imponho o meu destino
Doce, doce, sem vestígios.