quarta-feira, 1 de abril de 2009

DESENLACE

Ela acordou sufocada ao lado dele
Ele, liberto, ao lado dela
Ela tinha medo do pesadelo que aquilo podia se tornar
Ele, sabia: ela era um sonho realizado
Ela tinha medo de dormir e se perder
Ele, sabia que o melhor viria ao acordar
Ela estava preocupada, questionando-se
Ela, era a melhor reposta da vida, a ele
O prender das mãos a aprisionava
O abraço dela, o encorajava
Ela tinha medo de entregar-se
Ele, estava feliz em recebê-la
Ela, se fechava como ostra
Ele, a via como a própria pérola

Eles assim lado a lado
Ele e ela sem elos
Mas consigo

Ivete Irene

terça-feira, 17 de março de 2009

Flores no concreto

Caminhar pela Av. Sumaré tem suas surpresas: os lírios, as pessoas, os carros... Mesmo em meio ao concreto, à fumaça, a beleza resiste, convidando-nos.
Diariamente, leio o Sutra do Lótus, cultuo os espíritos dos meus ancestrais, para que possamos ter um caminho mais iluminado sob a proteção dos budhas.
Olhar as flores, me remete a origem do Zen Budismo - o qual pouco conheço. Mas a história é linda, vejamos:

Segundo a história tradicional, a primeira transmissão “mente a mente” (ou “coração a coração”) ocorreu na Índia, durante uma palestra de Buddha a uma grande assembléia na montanha Gridhrakuta, que reunia mais de mil e duzentos discípulos.
O Buddha Shakyamuni, com um sorriso inspirador em sua face, elevou o braço, segurando apenas uma flor de lótus dourada. Neste momento, houve um silêncio total.
Nenhum dos discípulos arriscou-se a dar nenhuma interpretação e, durante esse longo momento de impasse, seu discípulo Mahakashyapa (famoso por sua extrema sisudez) respondeu-lhe com outro sorriso misterioso. Ninguém da assembléia entendeu o sentido e significado do feito de Buddha e, mais tarde, ele anunciou que o mais profundo Dharma da verdade tinha sido transmitido ao discípulo Mahakashyapa.

Disponível: http://www.budismosimples.kit.net/ [capturado em 17 mar 2009].




quinta-feira, 12 de março de 2009

My pillow...

Deitamos um ao lado do outro.
Exaurimos a paciência em nos doar.
Ignoramos o chamado do dia
e quando chega o crepúsculo,
meio a vacilações de olhares,
a finitude eclipse segredos sobre a gente:
- Vista a roupa, mulher!
Não somos anjos. Nem deuses.
Apenas homem e mulher.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Domingo


“Aprendi com as primaveras a me deixar cortar para voltar inteira”.
Cecília Meireles


A corrida matinal a deixou mais entorpecida do que desperta. A vermelhidão das pontas dos seus dedos da mão indicava o retorno a sua casa, o frio não passara e mesmo o parque, nessas manhãs tão gélidas, ser um convite a contemplação do lago silencioso, dos cisnes engalfinhados uns aos outros e dos lírios à margem sempre dispostos às intempéries como moças desinibidas e que jocosas procuram atrair a atenção de homens tímidos, nada fez com que Marie ficasse um minuto a mais naquele lugar.
A proposta para esse domingo era inclusive tirar fotos da paisagem, até mesmo porque era uma tarefa a ser entregue na semana seguinte no seu curso de fotografia. Não me sinto à vontade, um chocolate, ver os e-mails, ligar para papai...
Há dias como este: a roda de nossa vida íntima começa a parar silenciosamente. Marie ainda era convidada a fazer escolhas, mas preferia ignorar, mesmo pressentindo que os cercos que construiu para si estavam ruindo. Caminhava pelas alamedas do parque aparentemente feliz, apegada a hábitos, a pretensões que não serviam a mais nada a não ser àquela parte sua que detesta a ponto de não olhá-la: a sua covardia de dar o que precisava, e, que por incrível que pareça, foi a que mais cultivou nos últimos vinte e cinco anos, fortalecendo-a como um bebê recém-nascido que necessita de todos os cuidados: os brônquios fracos foram reinstaurados nas duas semanas que ficou na estufa do berçário e isso equivale ao dia em que Marie resolveu reformar o banheiro de sua casa com o seu primeiro aumento de salário. Como não? Na vitrine, a bela pia de mármore a convidou a ingressar à serenidade, ao pacto comum dos que sabem que estão-indo-bem, enquanto o espelho jateado a la rococó ainda lhe restitui uma extravagância permitida.
À porta do apartamento, com o cheque em mãos, não olhou nos olhos do pedreiro que terminara a obra, e este ao entrar no elevador e ver assinatura daquela jovem decidida, mas um tanto solitária, desejou desposá-la com sentimentos cálidos de quem experencia o vazio de uma Nossa Senhora, a qual carregava uma imagem dentro de sua carteira. Sentiu-se também solitário, olhou para a câmera vigia e sorriu sem graça.
Na cozinha, logo após chegar da caminhada, preparou uma xícara com chocolate fumegante, que desenhava um torvelinho escuro que surgia e desaparecia, enquanto o tilintar discreto do metal à porcelana desafiava o silêncio maior daquela manhã.
Era junho e aos quarenta e dois anos Marie se encontrava sozinha no apartamento na região sul de São Paulo. Bem agasalhada, com um conjunto de abrigo esportivo, poderia passar tranquilamente por uma mulher de trinta e poucos anos, mesmo não sendo esse o objetivo de suas caminhadas e das suas incursões a cursos artísticos, pois, na verdade, fazia o que tinha que ser feito, afinal, era uma mulher que acordava todos os dias com a preocupação de constituir-se ativa, capaz de ao encontrar a secretária de seu consultório já saber as manchetes do principal jornal da cidade, uma vez que havia lido no carro a caminho do trabalho. Quem sabe à noite não encontraria Pedro?
Preciso ver os e-mails... Caminhou até um dos quartos, onde fizera de escritório.
Era tão preocupante deixar a irmã mais nova em outro país, trabalhando em uma estação de trem... Tudo bem que ela demonstrara uma maturidade impressionante, lembrando que até dois anos atrás, período em que resolveu deixar o Brasil, meses antes preferia às noites fora de casa, às relações conturbadas com um namorado de início de adolescência e à rebeldia a tudo que lhe ofereciam como O Caminho. Numa tarde, enquanto assistiam televisão Marie e seu pai, Camille prontificou-se como uma vigorosa planta que sobe o muro, e, ocupando seu o espaço disse: me inscrevi em um curso de alemão, vou para Berlim, tenho algumas economias, vou me fazer o bem.
Me fazer o bem?

Marie,
Não pude me conter, na semana passada, ao mexer no meu guarda-roupa encontrei um envelope com umas fotografias, e já no dia seguinte dei um jeito de escaneá-la. Olhe!: eu, você e o nosso vizinho de infância, lembra? Gustavo. Quantos anos você tinha? Dezenove? Creio que eu tinha sete. Que cabelo bizarro! Olha a calça! Olha onde essa cintura vai parar.

Saudades,
Abço pro papai,
Camille

Se quisesse, a roda de sua vida íntima ainda poderia movimentar-se naquela manhã, levando a lugares dentro de si que lhe indicassem a escolha de vestidos mais vibrantes, a viagens ao deserto – lugar que sempre chamara sua atenção, mas como era uma predileção, preferia passar desapercebido. Foi um dia, com Camille, que ao assistiram a National Geographic o deserto do Atacama lhe pareceu muito mais atraente do que a viagem anual que fazia com suas amigas de consultório -, também seria bem possível que ao encarar as prateleiras que trocara para colocar os seus livros, sentiria um desânimo maior. Fazia tempo que não namorava. Mas como quando encontramos um céu cheio de nuvens, mas que ainda é possível ver o azul tranqüilo por detrás delas, ainda era possível fazer escolhas naquele domingo.
O silêncio convidava. Uma sensação quente, acolhedora dentro da mulher surgiu brevemente, quando ao olhar para fotografia, Marie resolveu dar um zoom para observar minuciosamente os seus olhos. Tinha vinte anos, acabara de ingressar na faculdade de fisioterapia, a escolha foi feita a partir dos períodos em que, nos últimos anos que cuidou de sua mãe, que faleceu de uma doença degenerativa permeada por derrames, observara a fisioterapeuta dedicar-se ao processo de reabilitação – mesmo todos sabendo que dificilmente a matriarca sobreviveria. Mas havia milagres espalhados pela casa, mínimos, mas verdadeiros, era quando sua mãezinha conseguia voltar a pegar a colher e segurá-la por dois segundos, de modo que os olhos de Marie e da fisioterapeuta se tornavam mais brilhantes. À sua frente, frágil, via a Vida batalhando o quanto podia, o teor daquela dinâmica estava mais próximo da sinceridade e o empenho de formigas que nascem para trabalhar e cercam de cuidados sua rainha até o cessar de suas vidinhas, do que alguém que consegue repentinamente sair de uma cadeira de rodas e voltar a caminhar. Era isso que queria para si: potenciais vastos. Trabalharia com reabilitações e reintegrações de vidas.
Perscrutou seus olhos na fotografia, deu mais zoom, lapidou-os com suas lembranças, seus desânimos, esperanças e viu lá fundo do vazio um diamante. Uma imagem saltara a sua frente, seria um delírio?
Era domingo. Algumas famílias estavam postas à porta da igreja, um pai com seu filho comprava remédios na farmácia. Certos distintos preservavam seus anseios de coração em bancadas de bar, bebendo uma, certificando-se de que incorruptíveis viviam na terra mais pura do que a hipocrisia dos anúncios de propaganda e dos sorrisos dos homens bem vestidos. Um pássaro morria em seu ninho doente, sozinho, sua mãe voara para buscar alimento, seu corpo já diminuía a temperatura. Três mocinhas iniciavam-se com os rapazes numa casa de praia. Uma caneta caia no chão. O telefone tocava. A fotografia enviada informava: diamantes.
Afastou-se para trás, estava um pouco trêmula. O que vira? Não quis acreditar. Dando uma ordem de comando falou para si: vai, caminha, liga para o seu pai, ele depende de você, não há ninguém mais da sua família...
Os livros na prateleira: fisioterapia neurofuncional; princípios neurofisiológicos da facilitação neuromuscular proprioceptiva. E agora, era uma parte sua que precisava se reinserir. Bio-psico-social? Um nome eficiente, mas pouco proveitoso comparado com o delírio que acabara de ter. Não queria falar isso para ninguém. Era tão luminoso, belo... Havia um segredo nisso tudo que talvez não chegaria a um fim e então teve medo de acolhê-lo. A tristeza varou o seu peito, uma onda de descrédito a tomou por inteiro, não sabia o que lhe dar, descobriu infinitamente covarde.
Levantou-se foi até a sala, trêmula, pegou no telefone e ligou para o seu pai:
- Como está?
- Aqui bem, fui caminhar...
Não prosseguiu em suas palavras, seu pai falava do encontro na noite passada com seus amigos do baralho.
- Não sei ser o que sou...
– O que disse?
- Preciso cortar o cabelo...
– Mas hoje é domingo?
- É. Domingo. Passo aí mais tarde.
O apartamento era imenso. Nunca o habitara por completo e por mais que houvesse móveis, livros, mantas, objeto de decoração, fotografias na parede, nada parecia estar de acordo com o que nem sabia que desejava sempre. Resolveu sentar na poltrona, encolheu-se. Teve apenas um namorado, envolveu-se com dois pacientes seus e nunca sofrera por não ter filhos. Todas as escolhas foram estéreis? Não quis encarar a velha que teria que cuidar para o resto de sua vida, ela mesma. Poderia viajar para o Atacama. Poderia encontrar um namorado, era charmosa e cuidava do corpo, poderia adotar uma criança, visitar Camille... Ai, como é desesperador ser!
Sua mente agitada contrastava com a impavidez da decoração do seu apartamento. O gorjeio do pássaro cortando o céu, lhe remetia a sensação de estar se destoando de toda aquela maquinaria chamada Vida e o barulho do elevador subindo e descendo vindo do hall lhe arrancou o suspiro: Para quê?
Mas o delírio ainda estava ali, impregnado à sua alma, lhe convidando a desnovelá-lo e pobre mulher, presa na ambivalência de aceitar ou não o que poderia salvá-la, ignorou-o com a força de um búfalo - mais uma vez o bebê recém-nascido, sua covardia, fortaleceu os seus brônquios na estufa. Abafou essa experiência com exercícios de respiração durante umas duas horas nada fez com que despertasse, e mesmo frases como Mínimas mas verdadeiras e imagens cheias de luzes vagarem dentro dela, Marie optou em deixar o apartamento e visitar seu pai. O problema é que a vida não tem fim.
Amanhã, caminharia novamente e tudo voltaria no lugar certo...

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Your kiss is so sweet...

Ontem, enquanto assistia a televisão, vi João Gilberto Noll falar sobre o seu romance de estréia Acenos e Afagos, muito interessante, e como sempre, fiz o recorte daquilo que apenas me interessava e, nesse momento, meus ouvidos duplicaram quando disse: inadequação dos desejos perante ao coletivo, busca de identidade e paixões. Por que duplicaram?
Não sei minha mãe, meu pai, minhas irmãs, mas eu sempre fui do time que é avesso às convenções, aliás, eles nunca tiveram tempo para isso, assim como coragem para dizer muitas vezes: não estou satisfeito... Enfim, ganhei a fama na adolescência de transgressora e pra não falar coisas piores, inclusive, já me perdi por não saber guiar toda a complexidade que é enxergar a Vida como vejo, sinto - aliás, podem ter certeza de que não é muito diferente de como a veem e a encaram. Acontece que sou sincera e fiel a mim.
Na verdade, careço da habilidade de enxergar o que é certo - ou melhor, do que dizem o que é certo - como a única saída, não que eu não seja a favor da virtude, claro que sou, mas pra mim virtudes são sínteses, ou seja, para existir a tolerância é necessário algo que desafie a nossa paciência para negociarmos no momento que a pede se vale a pena ou não relevar amorosamente algo ou alguém. Assim, o que é certo advem de dentro para fora e não ao contrário. Pelo menos para mim sempre foi assim. Como diria Mefistófeles: "Eu sou a parte do todo que quer fazer o mal, mas cria o bem." Instituições morais nunca foram o meu forte.
Às vezes, penso que a saída deveria ser encorajarmos as pessoas a experimentar a Vida e tirar as suas próprias conclusões, não dizendo já de cara: isso é bom, isso é ruim, faça isso e estará no caminho certo... Entretanto, isso dá muito trabalho e medo, uma vez que não gostamos de saber que somos as únicas pessoas responsáveis pelas nossas próprias vidas, daí preferimos deixar que nos guiem, pois o processo de construir o seu próprio destino é algo que é necessário esforços e até mesmo paixão.
A inadequação dos desejos me parece um caminho de algo outro, o primeiro estágio de libertação. De tomada de consciência do diferente em si, de como a sua subjetividade sente o mundo e o ama. Hoje, lendo Proust, havia uma personagem que era sádica, e de repente o autor abre um clarão no meio da floresta a respeito das atitudes da senhorita Vinteuil:
"(...) Os sádicos da espécie da senhorita Vinteuil são uns seres puramente sentimentais, tão naturalmente virtuosos que até o prazer sensual lhes parece uma coisa má, um privilégio dos maus. E quando se permitem entregar-se um momento a ele, é na pele dos maus que procuram entrar e fazer com que entre o seu cúmplice, a fim de que possam ter por um instante a ilusão de se haverem evadido de sua alma escrupulosa e terna para o mundo inumano do prazer. E eu compreendia quanto ela o desejava, ao ver como lhe era impossível consegui-lo. No próprio momento em que desejava ser diferente do pai, o que ela me fazia lembrar eram as maneiras de pensar e de dizer do velho professor de piano. O que profanava, o que utilizava para os seus prazeres e que se interpunha entre esses prazeres e sua pessoa, impedindo-a de gozá-los diretamente, era, muito mais que a fotografia do pai, aquela parença que havia entre os dois, aqueles olhos azuis da mãe de Vinteuil, que os transmitira à filha como uma jóia de família, aqueles gestos de amabilidade que vinham colocar entre ela e o seu vício uma fraseologia e uma mentalidades inadequadas, as quais faziam com que considerasse a prática daquele vício como uma coisa não muito diversa dos inúmeros deveres de cortesia a que habitualmente se consagrava.
Não era o mal que lhe dava a idéia do prazer, que lhe parecia agradável; era o prazer que lhe parecia maligno. E como cada vez que se entregava ao prazer, vinha ele acompanhado daqueles maus pensamentos que durante o resto do tempo estavam ausentes de sua alma virtuosa, ela acabava por achar no prazer alguma coisa de diabólico, por identificá-lo com o Mal (...) Não teria acaso pensado que o mal fosse um estado tão raro, tão extraordinário, tão isolante e para onde era tão grato emigrar, se soubesse discernir em si mesma, como em todos os outros, essa indiferença pelos sofrimentos que nós mesmos causamos e que, por mais diversos nomes que lhe dêem, é a forma terrível e permanente da crueldade."

Não faça isso. Faça aquilo. Tem algo errado com o seu jeito de sentir prazer, de ser feliz... Cada qual tem o seu caminho de autodescoberta, mas o recado fica assim: há um diamante onde menos imaginamos, principalmente, quando não se tem coragem de encará-lo por pensar ser imoral.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Ano Novo

O que pensar a respeito do que virá, ou que gostaria que viesse em 2009. Sei que a melhor dica é viver o presente, para isso medito e busco ficar atenta aos caminhos auspiciosos do já, mas quando me pego olhando o teto do quarto à noite, é no futuro com suas incógnitas que mais dedico a talhar meus desejos para que se tornem concretos. E é aí, no meio do caminho, que me deparo com a conclusão frustrante de que querer não é ser. E vejo o quanto de energia estou gastando com devaneios e confusões até que pego no sono.
Não tenho controle de nada, nem de mim mesma, nem do outro, nem da realidade...
O futuro, atualmente, para mim me parece ser mais uma resposta de como você lidou com o presente do que lista de planejamento para ações: seja na relação com os amigos, com os namorados, com o trabalho, com a natureza... Um lance de ação e reação. Adianta fazer planos?
O imprevisto é o convite que desestrutura e nos põe em xeque: e aí, até quando conseguirá ficar em cima da corda bamba? E fico, porque temos de ser generosos com a vida simplesmente porque fica mais bonito o mundo. É uma opção estética a ética.
Fazer planos para 2009 me parece interessantísssimo, até porque adoro essas lista: emagrecer, estudar inglês, beijar mais, estar com a família... Mas não me parece assim que o mundo funciona, é outra dinâmica a qual não nos pertence e só percebemos isso quando acumulamos ilusões. Mas vamos lá!
Ler em Busca do tempo perdido do Proust, me faz pensar nisso: menos futuro, mais presente...
E você, como tem gasto o seu tempo?

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

FRESTA

Ser fiel acima de tudo àquilo que desconheço,
que me faz estremecer ao encontrar ,
na hesitação das possibilidades,
os mínimos sins.
Somar e somar.

A honestidade para com a nossa condição
poderá nos salvar:
Ah, se fôssemos inteligentes suficientes para
percebermos que essa brincadeira
é um modo de passar o tempo!,
Não existe nada além do presente,
Mas procuro uma porta de fuga,
sonhando retornar.

Mas retornar é reconhecer
Que nunca tivemos o que procuramos.
Não há nada além disso – que verdade libertadora!
Não me estranhe quando digo:
Por que ficaria brava, fiz a minha parte!
Vislumbrei nas frestas e sei que você também!
Mas há medo porque pensamos burramente
Que algum dia seremos mais felizes
do que quando reconhecemos nossas feridas – que verdade libertadora!

Alegria é algo construído às duras penas
Constato diariamente que preciso Ser.
estou indo... fui... cheguei... voltei renascida...