Um passo. Vacilo. Equilibro. Descobri de repente alguns diamantes - eu mesma os produzi? Talvez. Pressionei o carbono para a minha consciência cintilar: não é lá fora o que procuro, é aqui, está aqui. No mar que corre dentro de mim (por enquanto tranquilo) descobri um timão boiando, é a minha manobra perfeita, sedenta de edificações - não é cópia, é originalidade assombrosa.
Dirijo-me.
Distante, esgueirando-se na escuridão, um farol projeta luzes, deixando minhas mãos em evidência. O que carrego com tanta cautela e amor? Já não sou uma, mas duas mulheres gêmeas que se encaram, a fim de dividirem um cardápio diário a ser consumido: um tipo de fidelidade rara, lapidada.
Nesta noite, os pensamentos plasmam-se na parede do meu quarto: um quadro impressionista, meu caro. Seria eu uma nenúfar branca, intocada, audaz, boiando em duas lembranças do devir?
segunda-feira, 28 de maio de 2012
terça-feira, 3 de abril de 2012
Para começo de conversa...
Recomeçar. Posso ser diferente no limiar do que se é, para tanto, o que modifico é a lente como me perscruto.
As rosas, sobre a mesa, marcam o dia em que a esperança bateu à minha porta: uma festa íntima iniciou e, gradativamente, dentro de mim, agitam-se gatos entre cigarros e gim - ou seria um frasco de perfume? - em uma única poltrona.
(Onde está o reflexo do que ainda se engendra, silenciosamente, a partir das falsas expectativas que criei por vício e carência? Um grão translúcido, semelhante a lágrima de um bebê de ouro, estilhaça sobre o chão.Ouço um estampido, me sinto livre)
Não responsabilizo mais o mundo, o que esvaiu - todos aqueles pensamentos e sentimentos direcionados a uma única pessoa - metamorfozeou-se em uma imagem edificante que nasceu do vórtice do meu comando: uma flor de lótus. Descobri sem querer, nesta tarde, enquanto cochilava acordada, os filamentos dos meus desejos que me ligam ao mundo e, como uma anciã, puxei-os e fiz uma belo vestido de minha própria pele.
As rosas, sobre a mesa, marcam o dia em que a esperança bateu à minha porta: uma festa íntima iniciou e, gradativamente, dentro de mim, agitam-se gatos entre cigarros e gim - ou seria um frasco de perfume? - em uma única poltrona.
(Onde está o reflexo do que ainda se engendra, silenciosamente, a partir das falsas expectativas que criei por vício e carência? Um grão translúcido, semelhante a lágrima de um bebê de ouro, estilhaça sobre o chão.Ouço um estampido, me sinto livre)
Não responsabilizo mais o mundo, o que esvaiu - todos aqueles pensamentos e sentimentos direcionados a uma única pessoa - metamorfozeou-se em uma imagem edificante que nasceu do vórtice do meu comando: uma flor de lótus. Descobri sem querer, nesta tarde, enquanto cochilava acordada, os filamentos dos meus desejos que me ligam ao mundo e, como uma anciã, puxei-os e fiz uma belo vestido de minha própria pele.
Para começo de conversa...
Recomeçar. Posso ser diferente no limiar do que se é, para tanto, o que modifico é a lente como me perscruto.
As rosas, sobre a mesa, marcam o dia em que a esperança bateu à minha porta: uma festa íntima iniciou e, gradativamente, dentro de mim, agitam-se gatos entre cigarros e gim - ou seria um frasco de perfume? - em uma única poltrona.
(Onde está o reflexo do que ainda se engendra, silenciosamente, a partir das falsas expectativas que criei por vício e carência? Um grão translúcido, semelhante a lágrima de um bebê de ouro, estilhaça sobre o chão.Ouço um estampido, me sinto livre)
Não responsabilizo mais o mundo, o que esvaiu - todos aqueles pensamentos e sentimentos direcionados a uma única pessoa - metamorfozeou-se em uma imagem edificante que nasceu do vórtice do meu comando: amor próprio. Descobri sem querer, nesta tarde, enquanto cochilava acordada, os filamentos dos meus desejos que me ligam ao mundo e, como uma anciã, puxei-os e fiz uma belo vestido de minha própria pele.
As rosas, sobre a mesa, marcam o dia em que a esperança bateu à minha porta: uma festa íntima iniciou e, gradativamente, dentro de mim, agitam-se gatos entre cigarros e gim - ou seria um frasco de perfume? - em uma única poltrona.
(Onde está o reflexo do que ainda se engendra, silenciosamente, a partir das falsas expectativas que criei por vício e carência? Um grão translúcido, semelhante a lágrima de um bebê de ouro, estilhaça sobre o chão.Ouço um estampido, me sinto livre)
Não responsabilizo mais o mundo, o que esvaiu - todos aqueles pensamentos e sentimentos direcionados a uma única pessoa - metamorfozeou-se em uma imagem edificante que nasceu do vórtice do meu comando: amor próprio. Descobri sem querer, nesta tarde, enquanto cochilava acordada, os filamentos dos meus desejos que me ligam ao mundo e, como uma anciã, puxei-os e fiz uma belo vestido de minha própria pele.
domingo, 12 de fevereiro de 2012
Exílio
No silêncio, me desembaraço. Não sei quando começou, mas a solidão é minha arte. Demorei para notar o porquê olhava obstinada para os filetes de cenoura e as vagens partidas ao meio: tudo era bom e natural. De onde vem a ira?
Tem chovido muito esses dias, prefiro usar coques e prender a franja para trás a deixar os cabelos soltos. "Aguarde. Confie. Faça a sua parte. Você descobrirá seu próprio caminho."
Como quando descamamos um peixe e tiramos suas vísceras, reviro os sentimentos e as sensações até encontrar um pedaço de azeviche, pequeno tormento a ser decodificado com paciência. Encontrarei o caminho.
Na janelas do quarto azul marinho e do banheiro de azulejos verde oliva, os raios de sol procuram corpos para lembrá-los que ainda estão vivos: respirem, toquem-se, olhem para seus membros! Mergulhando,cada vez mais em mim, fico negra e silenciosa como a noite.
Tem chovido muito esses dias, prefiro usar coques e prender a franja para trás a deixar os cabelos soltos. "Aguarde. Confie. Faça a sua parte. Você descobrirá seu próprio caminho."
Como quando descamamos um peixe e tiramos suas vísceras, reviro os sentimentos e as sensações até encontrar um pedaço de azeviche, pequeno tormento a ser decodificado com paciência. Encontrarei o caminho.
Na janelas do quarto azul marinho e do banheiro de azulejos verde oliva, os raios de sol procuram corpos para lembrá-los que ainda estão vivos: respirem, toquem-se, olhem para seus membros! Mergulhando,cada vez mais em mim, fico negra e silenciosa como a noite.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Translúcida
Há uma verdade em cada um daqueles escritos, há uma certa intimidade corajosa naqueles desabafos que acariciam a dor da morte. Como leitora, voyer sôfrega, a cada verso tragado, coloco os pés no lago de brumas na tentativa de tatear uma resposta.
O Nada é um urso polar imenso à procura de presas. Ele não é mal, é natural. O que assombra é, talvez, a certeza da falta de sentido. Ninguém, naquela manhã, atreveu-se a dizer um não e, como robôs, ordenaram suas falas e poliram seus pensamentos, solicitando apenas notas fiscais a cada desejo entornado.
De dia, meu amor é imenso. Sinto-me forte e, como a lua, observo a humanidade com generosidade e perdão. Tiro do meu bolso, quando tocam o sino no final da tarde, tanques de areia, nos quais deixo no canto um rastelo, uma picareta e uma foice. Equilibro-me no meu olho esquerdo, jogando o peso do ideal para o alto, içando qualquer tentativa de autoflagelação. Aprendi a me amar e agora estou pronta para o Bem. De noite, com a respiração presa, visito a vida de um ancestral raposa, sábio e aterrorizante conta a minha história segurando uma flor orvalhada. Ele a assopra e sinto que meu coração é uma harpa vibrante.
O Nada é um urso polar imenso à procura de presas. Ele não é mal, é natural. O que assombra é, talvez, a certeza da falta de sentido. Ninguém, naquela manhã, atreveu-se a dizer um não e, como robôs, ordenaram suas falas e poliram seus pensamentos, solicitando apenas notas fiscais a cada desejo entornado.
De dia, meu amor é imenso. Sinto-me forte e, como a lua, observo a humanidade com generosidade e perdão. Tiro do meu bolso, quando tocam o sino no final da tarde, tanques de areia, nos quais deixo no canto um rastelo, uma picareta e uma foice. Equilibro-me no meu olho esquerdo, jogando o peso do ideal para o alto, içando qualquer tentativa de autoflagelação. Aprendi a me amar e agora estou pronta para o Bem. De noite, com a respiração presa, visito a vida de um ancestral raposa, sábio e aterrorizante conta a minha história segurando uma flor orvalhada. Ele a assopra e sinto que meu coração é uma harpa vibrante.
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Próximo passo
Superar o crepúsculo
na curva da dúvida.
Solidão em dosagem
certa é o antídoto
para vigarice.
O cavalo azul,
de pata cindida,
conspira sua fuga.
Na senda de seus cascos
pequeninos corações
de ouro reluzem
a coragem do intento:
eclipsada derramo
meus braços nas estrelas
mais próximas da gente
- no caminho
senti em meu pescoço
o frescor das flechas voadoras.
Alcancei minha sombra
e fui fertilizada.
Houve transformação.
na curva da dúvida.
Solidão em dosagem
certa é o antídoto
para vigarice.
O cavalo azul,
de pata cindida,
conspira sua fuga.
Na senda de seus cascos
pequeninos corações
de ouro reluzem
a coragem do intento:
eclipsada derramo
meus braços nas estrelas
mais próximas da gente
- no caminho
senti em meu pescoço
o frescor das flechas voadoras.
Alcancei minha sombra
e fui fertilizada.
Houve transformação.
domingo, 18 de dezembro de 2011
ADEUS 2011
Mais um ano passou. 2011. Acho uma tremenda bobagem fazer um retrospecto do que aconteceu, assim como planejar metas para o ano que vem - apesar de já ter feito isso inúmeras vezes anteriormente. Mas esses métodos caíram em desuso, pois, simplesmente, não tenho mais saco. A filosofia do "não tenho mais saco", apesar de parecer rude, é sábia (ao menos, espero que seja), porque o que está por trás dela é a confiança de que nada do que viverei futuramente será tão diferente do que estou vivendo agora, daí a falta da necessidade de retrospectos e de planejamentos. Estou em uma boa fase da minha vida e ponto.
"Acordei tentando lembrar dos meus sonhos. Eram 10h00 da manhã. A minha gata já estava sobre o meu travesseiro me chamando para tomarmos café da manhã. Ela, como sempre, foi na minha frente, atravessou o corredor, chegando à cozinha, onde fica seus potes de água e de ração; eu, ainda sonolenta, depois de ter colocado a água na chaleira para esquentar, preparei o pão com queijo, para logo pegar o jornal que fica do lado de fora, na entrada do apartamento (...)
DIÁLOGO - Os escritores modernos
Os escritores modernos (James Joyce, Virginia Woolf, Marcel Proust) apresentavam os dilemas de suas personagens a partir de uma perspectiva, na qual o cotidiano com suas miudezas era hipervalorizado. Os grandes golpes do destino e os pontos cruciais externos acerca do tema não eram encarados como decisivos. A confiança era de que em qualquer fragmento escolhido ao acaso, em qualquer instante, no decurso da vida, estava contemplada a substância toda do destino das personagens. Assim, a demanda de ir ao açougue comprar miúdos em Dublin, em Ulysses de James Joyce, fazia parte do heroísmo do homem comum, que buscava levar sua vida no mundo irônico e prosaico dos tempos modernos. Costurar a meia para o filho do faroleiro, em Passeio ao farol de Virginia Woolf, era o momento em que todo o mistério de Mrs. Ramsay e sua beleza exuberante se condensavam, convidando o leitor a interpretar sua vida. Relembrar da infância, permeada por personalidades tão fascinantes, a partir do sabor de uma madeleine molhada no chá, em No Caminho de Swann de Marcel Proust, também fazia parte do recorte moderno que enfatizava o corriqueiro.
(...) As roupas íntimas no varal, o chá de hibisco com maçã, a esperança de que nos acertemos. Deixei um bilhete sobre a mesa, desejando um bom final de semana, na observação: eu te amo."
Falta uma porção de coisas para me acertar ainda. Mas, ao olhar para o meu cotidiano, sinto que por enquanto o mais importante é não estabelecer critérios. O foco é viver o meu cotidiano devagarinho, construindo os sentidos da minha vida, assim como as personagens dos romances modernos, que a cada passagem dos romances mencionados acima, mostraram que a riqueza está nos momentos banais que podem inclusive ganhar uma função mítica.
"Acordei tentando lembrar dos meus sonhos. Eram 10h00 da manhã. A minha gata já estava sobre o meu travesseiro me chamando para tomarmos café da manhã. Ela, como sempre, foi na minha frente, atravessou o corredor, chegando à cozinha, onde fica seus potes de água e de ração; eu, ainda sonolenta, depois de ter colocado a água na chaleira para esquentar, preparei o pão com queijo, para logo pegar o jornal que fica do lado de fora, na entrada do apartamento (...)
DIÁLOGO - Os escritores modernos
Os escritores modernos (James Joyce, Virginia Woolf, Marcel Proust) apresentavam os dilemas de suas personagens a partir de uma perspectiva, na qual o cotidiano com suas miudezas era hipervalorizado. Os grandes golpes do destino e os pontos cruciais externos acerca do tema não eram encarados como decisivos. A confiança era de que em qualquer fragmento escolhido ao acaso, em qualquer instante, no decurso da vida, estava contemplada a substância toda do destino das personagens. Assim, a demanda de ir ao açougue comprar miúdos em Dublin, em Ulysses de James Joyce, fazia parte do heroísmo do homem comum, que buscava levar sua vida no mundo irônico e prosaico dos tempos modernos. Costurar a meia para o filho do faroleiro, em Passeio ao farol de Virginia Woolf, era o momento em que todo o mistério de Mrs. Ramsay e sua beleza exuberante se condensavam, convidando o leitor a interpretar sua vida. Relembrar da infância, permeada por personalidades tão fascinantes, a partir do sabor de uma madeleine molhada no chá, em No Caminho de Swann de Marcel Proust, também fazia parte do recorte moderno que enfatizava o corriqueiro.
(...) As roupas íntimas no varal, o chá de hibisco com maçã, a esperança de que nos acertemos. Deixei um bilhete sobre a mesa, desejando um bom final de semana, na observação: eu te amo."
Falta uma porção de coisas para me acertar ainda. Mas, ao olhar para o meu cotidiano, sinto que por enquanto o mais importante é não estabelecer critérios. O foco é viver o meu cotidiano devagarinho, construindo os sentidos da minha vida, assim como as personagens dos romances modernos, que a cada passagem dos romances mencionados acima, mostraram que a riqueza está nos momentos banais que podem inclusive ganhar uma função mítica.
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