terça-feira, 21 de julho de 2009

O QUE NÃO SE ENCAIXA NUNCA EM NADA - por isso genial!

Recebi por e-mail um link com o site atualizado do Sr. Tim Burton. Deem uma olhadinha, vale a pena! O bacana é o garotinho caminhando pela galeria todo assustado. Um dia vou dissecar para vocês o universo bizarro do Tim Burton! Cheio de sensibilidade e crítica às atitudes mais desumanas e quem, injustamente, paga o pato sempre é o proscrito. O diferente. O exilado.

The Official Tim Burton Gallery
now open at http://timburton.com/

Deem uma olhadinha, vale a pena!

BALBULETEANDO por Lucélia Guimarães


Não serei como os entendidos desse conhecimento, dessa técnica (eles tem mais responsabilidades), só falarei com o coração, com o mais sincero sentimento que brota da alma e anseia compartilhar...
Estou ainda sob o efeito da criação do balbuleteando, onde queriamos (Ariane, Le e eu) exprimir no convite o que aguardavámos desse momento. Senti necessidade de escrever para extravasar esse sentimento que me atormentava, no bom sentido. Mostrar o universo “casa” (tema do convite), cada canto, cada símbolo, cada significado...
Assim como Proust temos um espaço que nos separa por instantes, por horas, do mundo, de nós mesmos, mas temos também o que nos uni...a cafeteira (pausa para um café) representa um pouco isso, como também as refeições, os momentos dedicados aos filmes, às conversas “desprovidas” de cientificidade, mas permeadas pela ânsia do entendimento. Colocadas para fora numa palavra, numa frase, que pode ser o que nos alegra ou o que nos aflinge: será a busca pela compreensão, diante de tanta incompreensão; será a busca por acolhida, diante de um mundo indiferente...será a busca por entendimento?
Após o intervalo, retornamos ao nosso isolamento, que logo, logo ou a qualquer momento pode ser interrompido pela CHARLOTTE, a Charli, a Cha, a Gorda pedindo atenção, comidinha ou uma massaginha. Ela tem o poder de quebrar a tensão, o estresse, o cansaço...quando se joga na cama com o barrigão pra cima, Nossa Senhora de Nazaré proteja!!!!, o silêncio é quebrado por gargalhadas...ela é CAPAZ de DERRETER qualquer CORAÇÃO. Em tão pouco tempo de convivência fui seduzida, sou seduzida, sou apaixonada por ELA. Ela também faz parte desse universo “casa”.
Esse universo representa um pouco do que é, do que está sendo, do vir a ser dos que nela habitam. Sendo um pouco do que somos ou do que cada um é, e nesse caso, do que sou e, que me estimulou a escrever, a precisar expressar em palavras o que o balbuleteando me causou...

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Charlottando...

Charlotto.
Charlottava.
Charlottei.
Charlottara.
Charlottarei.
Charlottarria.
(que) eu charlotte.
(se) eu charlottasse.
(quando) eu charlottar.
charlotta tu.
não charlottes tu.
CHARLOTTAR.
CHARLOTTANDO.
CHARLOTTADO.

domingo, 19 de julho de 2009

CAT POWER


Aconteceu. De verdade. Mais ou menos duas horas de duração. Ela, no palco; eu, na mesa. Isso, isso: senhorita Chan Marshall veio ao Brasil pela terceira vez e, finalmente, pude vê-la, ouvi-la.

De início, estava resistente: "Magina! Não é para tanto, já gostei muito, mas agora, blablabla...". Como no conto de Clarice Lispector, Felicidade Clandestina, fingi que não vivia aquilo para de tempos em tempos me surpreender com tamanha felicidade. Ah, essa minha alma tímida!

Como estava feliz! E os motivos eram tantos: ela, sua banda: Dirty Delta Blues, a minha história pessoal que foi regada a Cat Power durante cinco anos ininterruptos, pois quantas vezes não fiquei ouvindo Covers Records deitada na cama? You are free lavando louça ? Jukebox no trabalho? Moonpix na balada? Estava realmente emocionada.

A Luciana, com quem eu fui, disse que fiquei imóvel o show inteiro, que pendi para os lados, no máximo, duas vezes: ora para me debruçar à mesa, ora para me encostar à cadeira.

Ai, ai. Lembro-me de ficar escrevendo, no chão da sala, no meu apto. da Monte Alegre, as letras de músicas que não vinham no encarte, mas que eu as pegava na internet. Corria ao dicionário e traduzia um trechinho aqui, outro ali. Recortava figuras, para compor ainda mais a arte.

Nossa! E ia até a Augusta, ou a Velvet encomendar os cds importados. Cheguei a aprender a tocar duas musiquinhas no violão, fora o orgulho que tinha de ter uma franja como a dela!

O show foi demais. Eram as luzes vermelhas, azuis, a vela sobre o órgão, a guitarra, a bateria e ela - desculpe a analogia cafona, mas verdadeira - parecendo uma loba andando pelo palco, pois ficava toda encurvada, saltitava e... uivava!

De início, ansiosa, esperava um hitzinho qualquer, para confirmar o quanto sou sua fã, mas as coisas foram acontecendo de modo diferente. Por não conhecer algumas músicas do seu último EP Dark End of the street, me permiti ainda mais ficar perscrutando a atmosfera que ia sendo criada.

Aos poucos, o sentido já era perceptível: não havia escapatória: você tinha que ir com ela para o Hades. Isso mesmo, para o mundo das sombras e ficar um tempinho quieto, para perceber que é dali que nascem as coisas mais importantes, mas que ainda não têm forma: o amor, a alegria, os impulsos das paixões, a intuição que rege um destino, os medos, as mágoas e reviravoltas...

E quem nos disponibilizava isso: senhorita Chan Marshall, com sua voz rouca, possante, que deixou o álcool para tomar chá – qualquer semelhança com a minha vida pessoal é mera coincidência... Mas agora, muito mais segura e atrevida.

Sou fã da sua arte, mas não deixo de admirá-la pela sua vida pessoal. Houve uma época em que decidiu parar de tocar, voltou para Atlanta e ali ficou, até que no meio de uma noite, acordou sobressaltada como se um espírito a tivesse saculejado e produziu de uma tacada só o Moonpix.

Voltou para Nova Iorque e recomeçou. Também não deixo de comparar esse fato com a minha vida pessoal, pois durante um tempo esqueci algumas coisas importantes e tive que retomá-las injetando mais vitalidade à minha alma.

Pois é. Aconteceu de verdade. Ontem, como um caleidoscópio, lembranças da minha história de vida, as músicas, a Chan Marshall (cheguei bem pertinho dela), as luzes, a penumbra quebraram a resistência de quem ama e fingi não amar: "Magina! Não é para tanto, já gostei muito, blablabla..."

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Impaciência Guimarães Rosa (Magma)

I
Eu queria dormir
longamente...
(um sono só...)
Para esperar assim
o divino momento que eu pressinto,
em que hás de ser minha (meu)...
Mas...
e se essa hora
não devesse chegar nunca?...
Se o tempo,
como outras cousas todas,
te separa de mim?!
Então...
ah!, então eu gostaria
que o meu sono,
friíssimo e sem sonhos
(um sono só)
não tivesse mais fim...

II
Se eu pudesse correr pelo tempo afora,
vertigniosamente,
futuro adiante,
saltando tantas horas tediosas,
vazias de ti,
e voar assim até o momento de todos os momentos,
em que hás de ser minha!... (meu!)
Mas...e se esse minuto faltar
nas areias de todas as ampulhetas?...
E se tudo fosse inútil:
a máquina de Wells,
as botas de sete léguas do Gigante?!...
Então...ah!, então eu gostaria
de desviver para trás, dia por dia,
para parar só naquele instante,
e nele ficar, eternamente, prisioneiro...
(Tu sabes, aquele instante em que sorrias
e me fizeste chorar...)

terça-feira, 14 de julho de 2009

1 SARAU BALBULETEANDO

"O senhor... Mire veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior. É o que a vida me ensinou. Isso que me alegra, montão. E, outra coisa: o diabo, é as brutas; mas Deus é traiçoeiro! Ah, uma beleza de traiçoeiro - dá gosto! A força dele, quando quer - moço! - me dá o medo pavor! Deus vem vindo: ninguém não vê. ELe faz é na lei do mansinho - assim é o milagre. E Deus ataca bonito, se divertindo, se economiza. A pois: um dia, num curtume, a faquinha minha que eu tinha caiu dentro dum tanque, só caldo de casca de curtir, barbatimão, angico, lá sei. - "Amanhã eu tiro..." - falei, comigo. Porque era de noite, luz nenhuma eu não disputava. Ah, etão, saiba: no outro dia, cedo, a faca, o ferro dela, estava sido roído, quase por metade, por aquela aguinha escura, toda quieta. Deixei, para mais ver. Estala, espoleta! Sabe o que foi? Pois, nessa mesma da tarde, aí: da faquinha só se achava o cabo... O cabo - por não ser de frio metal, mas de chifre de galheiro. Aí está: Deus... Bem, o senhor ouviu, o que ouviu sabe, o que sabe me entende..."

ROSA, Guimarães. Grande sertão: veredas.

1o. SARAU BALBULETEANDO

" De manhã, voltando do parque, quando todos “tinham ido fazer um passeio”, eu me metia na sala de jantar, onde, até a minha distante hora do almoço, ninguém senão a velha Félicie, relativamente silenciosa entraria, de onde teria como companheiros de leitura mais do que os pratos coloridos pendendo nas paredes, o calendário cuja folha da véspera havia sido a pouco arrancada, o pêndulo e o fogo que falam sem pudor que se lhes responda, e cujos suaves propósitos vazios de sentido não substituem – como as palavras dos homens – o sentido das palavras que se leem. "
(Marcel Proust)
No dia 04/07, aconteceu em mi casita um sarau. Lemos: Baudelaire, Bukowski, Fernando Pessoa, Augusto dos Anjos, Manoel Bandeira, Clarice Lispector, Guimarães Rosa, Adélia Prado, Flannery O´Connor, Clarissa Pinkola Estés entre outros. Foi um máximo!